A zona de esforço tem infinitas possibilidades para ser feliz

Ame a zona de esforço que o perrengue dá. Quando se vê sem saída, sua mente se força a encontrar alternativas e você aprende exponencialmente.

Há algum tempo atrás eu assisti a um vídeo da Paula Abreu em que ela dizia: “ame o perrengue”. Eu logo disse pra mim mesma: não mesmo, meu anjo. Se eu amar o perrengue ele vai querer andar comigo pra sempre. Obrigada, mas não tô afim de passar a vida vivendo perrengue. Sai pra lá. Xô!

Só que eu fiquei com aquilo matutando na minha cabeça por algum tempo. Eu olhava para os últimos perrengues da minha vida e pensava no quanto eles haviam me ensinado. De certa forma eu os amava, pois reconhecia que de outra maneira eu não teria conseguido crescer e me tornar melhor. Eu não teria aberto os olhos para o quanto eu sou forte e capaz de tocar a minha vida com protagonismo.

Depois de um tempo eu compreendi que o nome disso era gratidão e que eu não preciso “amar” o perrengue. O perrengue é só uma zona de esforço involuntária e é na zona de esforço que coisas maravilhosas acontecem.

Então é isso! Eureka! Eu amo a zona de esforço! Não conscientemente, é claro. O ego, que comanda muita coisa desses 10% vagabundos da nossa mente consciente, odeia a zona de esfoço. Porque a zona de esforço é o território desconhecido. Nosso cérebro não sabe o que fazer ali, não tem mapa, não tem trilha. É uma área completamente selvagem!

E é justamente por isso que coisas maravilhosas acontecem na zona de esforço. Porque quando nossa mente precisa buscar uma saída para sobreviver naquele novo ambiente, novas conexões neurais começam a surgir. Vamos aprendendo novas formas de lidar com as adversidades e passamos a perceber milhares de possibilidades que na zona de conforto ficam sempre camufladas ou passam batidas.

Na zona de conforto o cérebro age no piloto automático. Estamos tão acostumados com o funcionamento de tudo, que não paramos para pensar nas nossas escolhas e muitas vezes perdemos oportunidades óbvias de sucesso. Obcecados pelo mapa, fechamos as portas para as possibilidades que existem na rua de trás e vemos tudo desmoronar.

Só que a gente não precisa esperar o perrengue para poder crescer. Não precisamos aprender sempre pela dor. É possível ter mais consciência, perceber quando algo não vai bem e escolher redefinir a rota. Podemos sair do óbvio e buscar crescimento fora das escolhas convencionais.

Às vezes a gente comete sempre o mesmo erro simplesmente porque temos medo de tentar de um jeito diferente.

Eu não te garanto que se você tentar vai acertar de primeira. Pode ser que você precise arriscar de outras maneiras diferentes até conseguir algum êxito. Mas uma coisa eu te garanto: se você tentar sempre do mesmo jeito, aquele que já deu errado, você vai continuar fracassando.

A zona de esforço é bem alí onde você tem medo de ir. Experimente se arriscar!

Agora, se você está na zona de esforço involuntária, acredite que bem aí, no meio do caos, tem uma enorme  oportunidade se apresentando. Apenas pare de tentar sair daí pelo jeito tradicional.

Relacionamentos falidos e a zona de conforto

Depois que optei por falar abertamente sobre o doloroso processo de divórcio que me levou a escolher um ano sabático, passei a receber muitas mensagens de pessoas que passaram ou estão passando pelo mesmo “problema”. Então é inevitável que eu use esse exemplo, já que foi daí que eu tirei as maiores lições da minha vida.

Durante a separação eu estava apavorada com o futuro. Não sabia como seria a vida a partir dali. Minha mente, desesperada pelo controle da situação, implorava para voltar ao território de antes, o casamento. E eu obedeci. Pedi para voltar e não funcionou. Tentei reconquistar e também não funcionou.

Não era opcional. As soluções tradicioais não estavam disponíveis e eu tinha apenas duas escolhas: Ficar chorando do meu lugar de vítima lá no fundo do poço, contando para todo mundo como eu havia sido injustiçada, ou usar aquilo para construir algo novo.

Então eu peguei o sonho mais maluco que eu tinha e decidi focar na sua realização. Muita gente me criticou. Muita gente discordou, porque o mais prudente naquele momento era procurar um trabalho e voltar “a vida normal”. Mas algumas pessoas apoiaram minha decisão, as pessoas mais importantes, e eu mergulhei ainda mais na zona de esforço: viajar pelo mundo sem data para voltar e com orçamento limitado.

Um término de relacionamento é uma enorme zona de esfoço. Independentemente se você decidiu terminar (zona de esforço voluntária) ou se decidiram terminar com você (zona de esforço involuntária), de repente aquela pessoa não está mais lá e a nova fase é um imenso e escuro caminho desconhecido.

A maioria do nosso sofrimento vem daí: o medo do desconhecido. Porque nós já acostumamos ao mapa da vida com aquela pessoa do lado. Sabemos a hora de dormir e acordar. Sabemos a série que vamos assistir no fim de semana. Sabemos o destino mais provável das férias. Sabemos que tem que comprar leite sem lactose no mercado e quem sempre chama o jardineiro ou a diarista.

Como que eu vou resolver tudo isso sozinho? O que eu vou fazer naquela praia sem você durante as férias? Como vão ser meus fins de semana sem maratona The Big Bang Theory?

O ego, esse sabichão que quer comandar a mente consciente, fica fazendo mil perguntas e te pedindo para voltar ao mapa de antes. “Liga o GPS que eu não sei esse caminho”, ele grita.

Eu vou te dar um conselho. Segue em frente. Não escute o ego. Peça informação no posto Ipiranga ou em qualquer quitanda que aparecer. Telefone você para o jardineiro ou aprenda a cortar a grama sozinho. Descubra novos programas para o fim de semana. Quando menos perceber, você vai estar surpreso em saber que aquela praia nem era o destino dos teus sonhos e que você até gosta de acordar mais cedo.

Aceite o perrengue que vier, ele nem sempre é opcional, mas ame a zona de esforço e seja grato ao descobrir as infinitas possibilidades que ela te abre.  A vida é maravilhosa onde o ego não consegue mandar.

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