Londres, meus passeios e meu sonho acontecendo

Cheguei à Londres no dia cinco de julho e por motivos de economia fiquei apenas quatro noites.

Não dá pra ir com muita sede ao pote na capital Britânica. É uma das cidades mais caras da Europa e, pra ajudar, a moeda é a libra esterlina, que é mais cara do que o euro. Todo mundo diz, quem converte, não se diverte, mas você leva um tempinho pra organizar o teu cérebro em outra moeda e planejar os gastos diários sem ficar pensando no quanto aquilo custa em reais.

Definitivamente, começar o mochilão na Europa pelo Reino Unido não é para amadores. Nas primeiras semanas da viagem você ainda não está se comportando como um viajante de longo prazo. Ainda não caiu a ficha de que você tem meses de jornada pela frente…

Eu esperava conseguir hospedagem de graça em Londres, mas as ofertas que recebi no Couchsurfing eram afastadas da cidade, e o transporte público também é caro. O preço de um trem, dependendo de onde você estiver, pode custar a diária de um hostel.

A primeira noite eu passei em uma casa-barco nos arredores da cidade. Foi uma experiência bem interessante, mas o calor exessivo me sufocou um pouco. O uso do banheiro também forçou demais os meus valores e eu acho que não conseguiria passar mais tempo. O canal era incrível com um parque lindo ao redor. Fiquei literalmente dentro da natureza.

Chegando no coração de Londres, por mais que eu tentasse não converter, minha experiência foi calculada em reais e cada vez que eu precisava comer eu entrava em crise existencial e só não voltei pra casa por que eu não tenho casa (pausa para gratidão e gargalhada). “Com o dinheiro desse sanduíche eu poderia estar indo no rodízio de sushi no Brasil”, eu pensava.

Quando esse tipo de pensamento vinha, eu procurava me colocar no presente e sobravam sempre motivos para agradecer. Mudar requer esforço, bora se esforçar.

As refeições praticamente se resumiram a duas ao dia: o café da manhã quase na hora do almoço e um lanche no final da tarde. Com sorte eu chagava a tempo do jantar na casa da brasileira onde fiquei hospedada. A cara de pau vai se aprimorando aos poucos.

Fora isso, eu consegui me conectar bastante com a cidade. Na Europa eu abandonei os fones de ouvido que tanto me acompanharam no Canadá. Passei a escutar mais o ambiente, as pessoas, os carros e os músicos que se apresentam aos montes nas ruas de Londres.

O que eu fiz em Londres?

Eu me perdi de madrugada depois de ver o Brasil ser desclassificado da Copa e andei vários quilômetros a pé por não ter wifi e não saber que ônibus pegar para voltar para casa. Pedi ajuda para uma desconhecida e fui encontrada pela minha anfitriã.

No primeiro dia de passeio eu caí no meio da Pride Parede no centro da cidade e penei para chegar até o museu Art Galery. Mas eu fiz tudo isso sorrindo e agradecendo.

Andei pelo Camdem Market e desejei todos os mimos de decoração para a casa que eu vou ter um dia. Tomei uma Guinness no The Hawley Arms o pub favorito da Amy Winehouse e fiquei imaginando qual era a mesa que ele gostava de sentar com seus amigos. Fiz uma foto na faixa dos Beatles na Abbey Road e senti o fim de tarde me aconchegar.

A coisa mais gostosa que fiz em Londres foi dançar durante o pôr do sol no meio de uma das pontes sobre o rio Tamisa. Um músico negro super sorridente tocava Rihanna e Ed Sheeran numa espécie de tambor lírico. Eu joguei algumas moedas e passei quase uma hora dançando ali. Eu senti uma felicidade incrível e cada vez que eu pensava em seguir o caminho ele começava uma música melhor e eu ficava.

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Ver a noite cair na London Eye também me trouxe paz. Eu fiquei encostada na mureta olhando os barcos e o movimento de turistas fotografando a roda gigante. Eu lembrei do passado e agradeci por ele me dar esse presente tão incrível.

Um espanhol puxou conversa comigo na Tower Bridge e eu gastei meu inglês mediano com ele. Depois de ele partir com uma tentativa de flerte mal sucedida, eu sorri ao me dar conta: estou solteira na Europa.

Na balança final, Londres foi positiva e eu agradeço pelas liras investidas.

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