Dublin e os olhos azuis mais lindos do mundo

Tem romance nessa viagem, Bruk? Tem sim senhor. Teve romance em Dublin, minha gente.

Eu ainda estava na sombra do passado, mas teve romance na Irlanda e esse eu vou contar porque foi muito divertido. Foi mais um presente do Universo nessa jornada de autoconhecimento em que eu mergulhei.

Claro que eu turistei em Dublin. Fui na catedral de Saint Patrick, fui no Castelo de Dublin, fui no museu Nacional, na Leinster House, na fabrica da Guinness e me frustrei quando cheguei na Trinity College para visitar sua belíssima biblioteca e fiquei sem bateria no celular. Que lugar incrível.

Eu contei nos stories do instagram sobre o desconforto com meu anfitrião doidão do Couchsurfing. Tá em destaque lá nas bolinhas, mas eu resumi um pouquinho melhor no final desse post aqui também.

Na noite de domingo, depois de ter saído da casa do bêdado, eu estava pronta para ir dormir no quarto fedorento do hostel mais barato que encotrei quando decidi que merecia me divertir. Queria ter algum prazer depois de ter passado a tarde carregando minha mochila de 16 kg na chuva por três quilômetros (o que um viajante não faz para economizar alguns euros, né?).

Então eu troquei o pijama por um jeans, pintei os olhos e fui passear na noite de Dublin. Desde a Bahia que eu já vinha apreciando a minha própria companhia para sair.

Eu já falei no instagram sobre Dublin e repito porque tenho experimentado isso: quando você se trata bem, o Universo entende o recado e te trata melhor ainda. Desde que eu mudei meu mindset e comecei a tratar a mim mesma com mais amor, tudo a minha volta mudou.

E naquela noite, Dublin me mostrou que o Universo sempre vai te dar muito melhor do que o seu sonho. Apenas conhecer Dublin e tomar uma Guinness no Temple Bar já era um presente incrível, mas eu vivi algo muito mais que incrível.

Passei por vários pubs onde franceses e belgas bebiam o resultado da final da copa do mundo. Entrei onde a música me agradou, pedi uma Guinness e me diverti dançando e cantando no meio de um monte de desconhecidos. Mas a banda anunciou que o bar estava fechando antes que eu pudesse pedir a segunda cerveja.

No caminho de volta para o hostel o Temple Bar me chamou de novo. Eu havia estado lá no dia anterior.

Parei na calçada, hesitei, continuei caminhando… decidi voltar. Pedi minha Guinness e fui simpática com os bêbados que vinham perguntar meu nome e minha nacionalidade.

Quando vi os olhos azuis mais lindos do mundo fiquei hipnotizada. Onde o Universo estava guardando aquele homem? Uma barba charmosa em tons de grisalho, castanho e ruivo. Alguém me abana que eu passo mal só de lembrar!

Mas a nossa habilidade para paquerar estava com defeito naquela noite. Sempre que eu olhava, ele não estava olhando e vice e versa. Cheguei a pensar que o amigo dele estava afim de mim e que ele era o namorado da loira que estava ao lado. Mas era o contrário.

Ele disse que tentou pagar a minha cerveja no balcão, mas eu fui mais rápida. Na verdade eu nem tinha visto que ele estava ao meu lado quando dei o cartão ao garçon. Se a amiga dele (que eu pensava que era namorada) não tivesse ido me buscar pela mão e me arrastado até ele, nós nunca teríamos nos falado.

Eu não conseguia entender o sotaque, mas tinha muita energia ali. Ele se esforçava pra falar devagar, eu me esforçava para ouvir e a amiga repetia quase tudo o que ele dizia.

Ele perguntou como era possível uma mulher tão linda estar solteira aos 37 anos e viajando pelo mundo. E ele tem razão em ficar surpreso, pois a maioria dos viajantes vida louca que eu conheci estão na casa dos 25 aos 30 anos. “O cara de sorte ainda não me achou”, eu disse com uma autoconfiança que me surpreendeu profundamente. Ele se ajoelhou no meio do Temple Bar e me pediu em casamento.

É isso mesmo. Eu não teria imaginado um pedido de casamento no Temple Bar na lista de coisas para se viver antes de morrer.

Algumas pessoas chegaram a aplaudir, pensando que era um pedido real. Eu  não disse sim, mas também não disse não. Eu apenas ri e os amigos dele riram também. Será que ainda dá tempo de aceitar?

Quando a conversa ficou mais íntima, deixamos a amiga tradutora de lado e passamos a usar o celular. Ele digitava o que eu não conseguia entender e eu respondia falando.

I want to kiss you. (Eu quero beijar você)

Do it. (Faça isso)

Um dia vou contar como essa noite de domingo terminou. Foi intensa e teve muita gargalhada.

Por enquanto eu conto que ele tirou a segunda-feira de folga para permanecer em Dublin, já que ele mora em outra cidade e estava na capital apenas para o fim de semana.

Quando encontrei com ele no café Nero à tarde, eu já conseguia entender melhor o sotaque. Falamos das nossas famílias, falamos de trabalho e eu contei que estava divorciada há alguns meses.

Fomos para mais uma Guinness no Breazen Head, o pub mais antigo da Irlanda, inaugurado em 1198. Jantamos juntos e eu perguntei se podia considerar aquele dia como um “date”, um encontro romântico.

Como são os dates no Brasil? – Ele perguntou.

No Brasil ninguém marca um date num café durante a tarde. Normalmente nós convidamos para jantar ou para tomar uma cerveja. – Expliquei.

Bom, hoje nós tomamos café, três cervejas e jantamos juntos no pub mais antigo da Irlanda. O que mais você precisa para considerar isso um date?

Contra fatos não há argumentos, não é mesmo? Silenciei com um sorriso de satisfação.

Na manhã de terça-feira nos despedimos com a promessa de um novo encontro na Itália em agosto.

Se eu não tivesse com a passagem comprada para Munique, eu certamente teria ficado mais alguns dias na Irlanda.

Você quer saber se nos encontramos na Itália, né? Quando eu chegar em Milão eu te conto.

8 Respostas para “Dublin e os olhos azuis mais lindos do mundo”

  1. Flávia…. que história legal!!
    Eu vou fazer minha primeira viagem sozinha com 38. Depois de ler aqui me sinto mais segura. E eu vou pra Dublin!! Tomara que eu tenha histórias legais pra contar tbm.
    Beijos!
    Ps. Se vc puder dar umas dicas 😉

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