Carnaval no Rio de Janeiro, o primeiro da minha vida

Não sei quantas vezes eu passei o carnaval no Rio de Janeiro. Eu estive no Rio de Janeiro um milhão de vezes antes de fevereiro de 2018. Eu estava lá em janeiro, quando minha vida virou pelo avesso. E foi naquela cidade quente como o inferno que eu descobri que o avesso era o meu lado mais bonito.

O destino principal naquele momento era Trancoso, na Bahia. Minha melhor amiga me deu a passagem de ida de presente, mas o ponto de partida era o Rio de Janeiro. Ela queria me forçar a passar o carnaval com ela e outras amigas na cidade maravilhosa.

Eu achava que já sabia como era o Carnaval no Rio de Janeiro. Mas aquele foi meu primeiro carnaval solteira e é claro que isso fez toda a diferença. E nem é pelo motivo que você está pensando.

Longe do círculo de amigos que eu frequentava até então, eu experimentei o carnaval da esquerda festiva do Rio. O carnaval do Centro, dos blocos alternativos que se encontram numa grande multidão libertina em frente ao prédio da UFRJ.

O carnaval das fantasias de cunho político, como a fada madrinha gay do comunismo. O carnaval feminista do jeito que eu gosto, com gordas e magras exibindo seus corpos cheios de adesivos de “não é não”. O carnaval do topless com glíter, onde as minas não eram importunadas por macho babaca. O carnaval do amor livre entre casais hetero e homoafetivos, onde todo mundo se beijava na boca no meio da multidão sem ser importunado ou julgado.

A única fantasia de carnaval que eu usei foi de noiva. Olha que ironia. Eu estava triste demais, queria ter colocado um coração partido no peito e uma placa: “Despedida de casada”. Às vezes penso que deveria ter passado o rodo industrial naquele monte de homem bonito com adesivos de “Fora Temer” e saias de tule (insira aqui aquele emoji chorando de rir). Eu era livre pra isso. Mas o máximo que eu consegui foi umas paqueradinhas inocentes e um contatinho no whatsapp (mais um emoji).

Dei os 100% que eu tinha no momento e sou grata por isso. Ter brincado o carnaval no Rio de Janeiro menos de um mês após o divórcio já foi coisa pra caramba. Sério mesmo, tenho maior orgulho de mim.

Depois eu me refugiei no Recreio dos Bandeirantes. Fui cuidada por amigos que eu tenho registrados na categoria mais que irmãos. Conheci o Rio de Janeiro que eu não havia visto antes. As praias mais selvagens, com uma natureza preservada ao redor.

Grumari, Prainha, Secreto, Macumba… Quem vai para o Rio e fica no raio Leme-Leblon, não conhece metade da beleza que a cidade tem. O Rio da Zona Sul é lindo sim. Um desbunde para os olhos. Sou apaixonada. Mas fica a dica: foge uns dias para a Zona Oeste. Vale muito a pena.

Começar a viagem pelo Rio foi muito significativo para mim. Porque o Rio guarda âncoras que pesam toneladas dentro do meu peito, e eu pude criar outras âncoras de recomeço e superação.

Para terminar, eu afirmo que estarei no Rio um milhão de vezes ainda. Estarei no Rio quantas vezes forem necessárias, pois quero construir dez memórias de felicidade para cada memória de dor que guardei lá. Não quero substituir nenhuma, pois as lágrimas que chorei naqueles mares me conduziram ao sorriso que carrego hoje.

O Rio de Janeiro pode ser muitas cidades, depende do que você carrega dentro da alma.

Eu fiz um post no Instagram sobre o Rio de Janeiro. Clica aqui pra conferir.

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